quinta-feira, 18 de outubro de 2012

'' Sobre as Palavras e Eu ''



É escrevendo que me sinto vivo, me sinto livre, me sinto gente, me sinto mutante. Meus escritos me tornarão eterno, mesmo ausente estarei por perto nas cartas, nos bilhetes, nas publicações. Por meio das palavras me descrevo, transcrevo, me olho e me sinto. Com elas construo meu paraíso imaginário onde nascem meus personagens, minhas ideias absurdas, descabidas, extraordinárias, minhas histórias, meus casos e acasos. Isso mesmo as palavras tem esse poder sobrenatural de me entender e conseqüentemente me traduzir, de onde elas vem ou pra onde vão não sei bem mas sei que as sinto. Elas são o silêncio que me permite falar, gritar, amar, xingar, dizer, sem usar a voz.
Nesse meu mundo a parte posso traduzir meu coração e despir a minha mente, escrevendo, compartilho as epopéias que me chegam do nada ou de algum lugar, sem hora marcada, quando estou lendo, pensando, refletindo, guardado em mim, recolhido no que sou, no que tenho. As histórias se apoderam de mim e me obrigam a parí-las, histórias emprestadas da vida de verdade, de outras pessoas, que me dou o direito de descrever, a vida que ninguém vê como eu a vejo. Ao dividir essas vidas em frases, parágrafos, textos me permito senti-las.
“Ao escrever, tudo torna-se possível. É meu reino imaginário, onde vez por outra encontro traços reais de mim mesma. Em versos, percebo meus lados incertos. Inversos. Minhas dúvidas, devaneios e reticências… e, mesmo que me assustem, estou ali: escrita. Pronta para me ler. Reler. E me editar.” Ao me deparar com essa frase, da escritora Fernanda Mello, me apaixonei, me reconheci contido nas entrelinhas, em cada letra, ponto e vírgula. Ela conseguiu dizer o que se passa e indiretamente foi uma alma que reconheceu outra. Enfim escrever é isso, é quando uma frase desencadeia um texto.


Autor Natan Gaia

Um comentário: